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segunda-feira, 30 de março de 2020

Arquitetura: resistência e amplitude com containers


Esqueça aquela ideia de que o container é apertadinho e quente! Nas mãos de arquitetos habilidosos, essa caixa de aço super resistente se transforma completamente, e com ela é possível construir as mais belas edificações com espaço de sobre e requinte de fazer inveja. A resistência dos containers e a possibilidade de criar grandes espaço com eles estão quebrando paradigmas na arquitetura, e assim esse sistema construtivo vem conquistado cada vez mais a preferência de arquitetos e clientes,  por oferecer muitas vantagens em comparação com a alvenaria, entre elas: redução nos custos - podendo alcançar economia de até 30% no orçamento, agilidade na entrega da obra e sustentabilidade.



Estrutura resistente

O container é uma caixa de aço muito bem estruturada e construída para resistir ao uso constante, em terra ou em mar, no transporte de mercadorias de diversos tipos, das mais simples as mais valiosas.  Por isso, é resistente a impactos, chuvas, raios, tempestades e até tsunamis.

Antes da invenção do container marítimo, pelo americano Malcom McLean, as mercadorias eram acondicionadas em grandes sacos ou malotes, e o transporte delas para dentro dos navios era feito de forma manual, um a um. Imagine como era para carregar 5 mil toneladas de café, por exemplo, do armazém até o navio. Foi vendo essa enorme dificuldade, e analisando as perdas de tempo e de mercadorias, que Mclean, na época empresário do ramo de transporte rodoviário, percebeu a urgência na padronização de grandes caixas de aço para atender o comercio exterior.

Assim, inspirado no transporte de mercadorias pelas ferrovias inglesas, ele adaptou o equipamento para as necessidades da navegação marítima, permitindo que as mercadorias pudessem ser transportadas numa caixa móvel, que saísse diretamente da carreta para o convés dos navios. O ganho de tempo foi enorme, e as perdas reduzidas a praticamente zero. A invenção dos containers em 1956 causou uma revolução na logística de transporte e na economia mundial, abrindo caminho para a globalização.


O que o senhor McLean provavelmente nunca imaginou é que anos mais tarde, a resistência, durabilidade e o design industrial do container despertariam o interesse de arquitetos do mundo todo para o uso dessa peça em seus projetos arquitetônicos, levando a mudanças de paradigmas, também,  na construção civil e oportunizando novas formas de uso aos containers descartados.

É possível ter pé direito alto e espaço amplo com containers?



“Sim, totalmente possível”, quem explica é o arquiteto brasileiro que mais projetou e construiu utilizando essa técnica construtiva. Celso Costa Filho afirma que o container é uma peça perfeita, e que pode ser adaptado aos mais variados projetos. Essa linda casa de container, projetada por ele para uma família de Santa Catarina, mostra como é possível ter um pé direito alto e ambientes muito espaçosos usando containers


“A solução nesse projeto foi trabalhar com os containers em paralelo, assim ganhamos o meio e projetamos um pé direito alto, que além de permitir a entrada de luz para o interior da casa, ainda ofereceu aos proprietários uma linda vista”

Abaixo, podemos ver outra proposta  do arquiteto Celso que mostra amplitude - Esse salão projetado com containers para uma escola de dança, com espaço para banheiros e camarim é mais um exemplo de como é possível construir grandes espaços com containers. 


“Nesse projeto usamos cinco containers unidos para conseguir a dimensão de 150 metros quadrados, e assim criamos o espaço necessário para o desenvolvimento da atividade de dança. Três, dos cinco containers, tiveram as chapas de aço laterais totalmente retiradas, mantendo a estrutura dos pilares, piso e teto. Mesmo retirando as chapas, conseguimos manter a integridade da peça, porque mantivemos os pilares”, explica Celso Costa.  

Balanço


Em arquitetura, “Balanço” é quando uma parte da estrutura se projeta sem uma sustentação aparente, proporcionando um visual leve ao projeto, ao mesmo tempo em que flexibiliza a circulação abaixo dela.


Nesse projeto da arquiteta mineira Luíza de Oliveira, o balanço logo na entrada do prédio da loja Green Co, mostra como os containers são excelentes para a criação dessas estruturas.

O arquiteto Celso Costa Filho, responsável pela execução dessa obra, na cidade de Campo Grande-MS, explica que os containers são empilhados pelas castanhas (peças que ficam nos cantos para união das vigas do container), sendo assim o container já tem um vão livre de 12 metros de comprimento, ou seja, a parte de baixo do container não encosta no chão ou em outro container quando empilhado, eles se apoiam apenas pelas quatro castanhas de canto. “Por isso essa peça é excelente para ser trabalhada em balanço, a estrutura é resistente, mas ao mesmo tempo é leve, por isso podemos usar por volta de 40% do seu tamanho para projetar o balanço”, resume. 

Outro exemplo de como o Balanço foi bem aproveitado vem de Londres, onde a cadeia  de restaurante com tema mexicano Wahaca ergueu uma edificação com containers


Nesse projeto, dois containers de 12 metros de comprimento foram empilhados de forma que a estrutura do segundo andar pudesse projetar um balanço de aproximadamente 3,5 metros, permitindo a circulação de clientes embaixo para adentrar ao restaurante.

Uma grande obra com containers

Se você tem a ideia de que containers só servem para pequenos projetos, então conhecer essa proposta do escritório espanhol Fenwick Iribarren Architects vai colocar por terra todas as suas crenças sobre esse sistema construtivo.


Trata-se de um projeto ambicioso e milionário para atender nada menos que a Copa do Mundo da Fifa, em 2022,  que será disputada no Qatar. Estamos falando do estádio Ras Abu Aboud que será construído utilizando a estrutura de containers para permitir uma montagem rápida e eficiente do Estádio, e desmontagem da estrutura logo após a realização do evento para ser transportada para outro local.


Com 450 mil metros quadrados, o terreno localizado à beira-mar, no  sudeste de Doha, vai abrigar o estádio com capacidade para 40.000 pessoas. Ele será construído com uma série de blocos modulares, formando uma estrutura em harmonia com a arquitetura do entorno portuário do estádio. Os containers serão adaptados para abrigar áreas de escadas, lojas e sanitários.

Sobre esse projeto, o arquiteto Celso Costa Filho explica que não serão utilizados containers reciclados na construção do estádio, mas que isso não significa que o projeto deixa de ser sustentável. 


“Mesmo utilizando containers novos, a modularidade do projeto vai permitir economia de materiais, menos desperdício, redução na emissão de carbono em comparação com as tradicionais técnicas construtivas e, ao mesmo tempo, vai reduzir bastante o tempo de construção, em três anos aproximadamente. Tudo isso contribui para a sustentabilidade do projeto, e deixa um importante legado para o futuro!” conclui. 

O estádio Ras Abu Aboud visa alcançar certificação de quatro estrelas do Global Sustainability Assessment System (GSAS).


Texto: Alexsandra Oliveira

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